O presente relatório surge em virtude da realização do estágio curricular, inerente ao 5º ano do curso de Psicologia Social e das Organizações, leccionado no Instituto Superior de Letras e Administração de Leiria.
Como aluno finalista do referido curso, realizei estágio curricular no Centro de Tratamento de Villa Ramadas, localizado em Alcobaça, durante o período compreendido entre 18 de Outubro de 2007 e 28 de Março de 2008.
Este relatório tem 7 (sete) capítulos: descreve a instituição de estágio em causa, as actividades realizadas, assim como os seus fundamentos teóricos; apresenta um estudo de caso, a análise crítica das actividades e a síntese crítica do estágio.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
I - Primeiro Capitulo
Este capítulo caracteriza a área da Psicologia em que foi realizado o estágio; refere os motivos da escolha do local onde foi realizado o estágio; e apresenta os objectivos de estágio.
Deste modo, indicamos Psicologia Clínica como a área em foi realizado o estágio, uma vez que este foi efectuado no Centro de Tratamento de Villa Ramadas, centro este que recorre a técnicas comprovadas de correcção das desordens aditivas e dos problemas comportamentais a elas associados.
Inicialmente, o local de preferência para a realização do estágio curricular era um estabelecimento prisional. Dada a impossibilidade de tal, decidi-me pela Instituição Villa Ramadas, uma vez que, e apesar das inúmeras diferenças em termos ambientais e sociais, havia, igualmente, a possibilidade de trabalhar com indivíduos com desordens aditivas referentes a dependências químicas e comportamentais.
Os objectivos do estágio passaram pelo conhecimento e familiarização com casos reais relativos a situações de dependências químicas e comportamentais; observação da experiência profissional de técnicos especializados; e desenvolvimento de competências pessoais e profissionais em ambiente profissional.
Deste modo, indicamos Psicologia Clínica como a área em foi realizado o estágio, uma vez que este foi efectuado no Centro de Tratamento de Villa Ramadas, centro este que recorre a técnicas comprovadas de correcção das desordens aditivas e dos problemas comportamentais a elas associados.
Inicialmente, o local de preferência para a realização do estágio curricular era um estabelecimento prisional. Dada a impossibilidade de tal, decidi-me pela Instituição Villa Ramadas, uma vez que, e apesar das inúmeras diferenças em termos ambientais e sociais, havia, igualmente, a possibilidade de trabalhar com indivíduos com desordens aditivas referentes a dependências químicas e comportamentais.
Os objectivos do estágio passaram pelo conhecimento e familiarização com casos reais relativos a situações de dependências químicas e comportamentais; observação da experiência profissional de técnicos especializados; e desenvolvimento de competências pessoais e profissionais em ambiente profissional.
II – Descrição da Instituição de Estágio
Este capítulo identifica a instituição de estágio, fazendo uma breve introdução história da mesma; apresenta as suas condições para a área de intervenção e serviços associados; descreve a intervenção realizada pelo gabinete de Psicologia; apresenta o seu organograma e identifica o orientador de estágio da instituição.
Entrevista Motivacional
A Entrevista Motivacional emergiu como uma abordagem de tratamento prática e aceitável para os indivíduos que estão relutantes em mudar e ambivalentes em relação à mudança. Envolve aspectos relacionados com o aconselhamento centrado no cliente, com terapia cognitiva, com teoria dos sistemas e com Psicologia Social (Miller & Rollnick, 1991, conforme citado em Edwards et al., 1999).
É um meio particular de ajudar as pessoas a reconhecer e fazer algo a respeito dos seus problemas presentes ou problemas potenciais. As estratégias da entrevista motivacional são mais persuasivas do que coercivas, mais encorajadoras do que argumentativas (Miller & Rollnick, 2001).
O terapeuta não assume um papel autoritário ou confrontacional, mas tenta criar um clima positivo que conduza à mudança. O objectivo é aumentar a motivação intrínseca do paciente, deixando-o com a responsabilidade de efectuar a própria mudança. A entrevista motivacional foi considerada eficaz para reduzir o consumo de álcool (Bien et al., 1993, conforme citado em Edwards et al., 1999).
É um meio particular de ajudar as pessoas a reconhecer e fazer algo a respeito dos seus problemas presentes ou problemas potenciais. As estratégias da entrevista motivacional são mais persuasivas do que coercivas, mais encorajadoras do que argumentativas (Miller & Rollnick, 2001).
O terapeuta não assume um papel autoritário ou confrontacional, mas tenta criar um clima positivo que conduza à mudança. O objectivo é aumentar a motivação intrínseca do paciente, deixando-o com a responsabilidade de efectuar a própria mudança. A entrevista motivacional foi considerada eficaz para reduzir o consumo de álcool (Bien et al., 1993, conforme citado em Edwards et al., 1999).
Introdução Histórica da Instituição
Villa Ramadas é a concretização de um projecto estabelecido no início de 2002, por Eduardo da Silva, após o seu regresso de Inglaterra, onde trabalhou em diversos centros de tratamento, tendo atingido a posição de Director Executivo num dos cinco melhores centros de tratamento do Reino Unido, ao mesmo tempo que terminava os seus estudos universitários.
A abertura do centro Villa Ramadas foi uma resposta directa ao número de pacientes portugueses que necessitavam de ir para os centros de tratamento em Inglaterra. O objectivo foi proporcionar um modelo de tratamento com disciplina inglesa, para os pacientes portugueses, sem a necessidade de viajarem para o estrangeiro.
Em conjunto com Alan Lane, um conselheiro com mais de 25 anos de experiência de aconselhamento na área da adicção e mais de 18 anos a tratar pacientes portugueses, gregos e outros pacientes europeus, Villa Ramadas foi fundada e oficialmente inaugurada pela Exma. Sra. Dra. Maria Barroso – Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa. A casa foi construída por duas fases sendo, inicialmente, uma casa familiar e, em 2002, foi ampliada e renovada com o propósito de se transformar em Turismo Rural. Os proprietários foram, então, abordados por Eduardo da Silva que manifestou o interesse em alicerçar um centro internacional de tratamento nesta casa (Retirado de www.villaramadas.com).
A abertura do centro Villa Ramadas foi uma resposta directa ao número de pacientes portugueses que necessitavam de ir para os centros de tratamento em Inglaterra. O objectivo foi proporcionar um modelo de tratamento com disciplina inglesa, para os pacientes portugueses, sem a necessidade de viajarem para o estrangeiro.
Em conjunto com Alan Lane, um conselheiro com mais de 25 anos de experiência de aconselhamento na área da adicção e mais de 18 anos a tratar pacientes portugueses, gregos e outros pacientes europeus, Villa Ramadas foi fundada e oficialmente inaugurada pela Exma. Sra. Dra. Maria Barroso – Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa. A casa foi construída por duas fases sendo, inicialmente, uma casa familiar e, em 2002, foi ampliada e renovada com o propósito de se transformar em Turismo Rural. Os proprietários foram, então, abordados por Eduardo da Silva que manifestou o interesse em alicerçar um centro internacional de tratamento nesta casa (Retirado de www.villaramadas.com).
Condições da Instituição para a Área de Intervenção e Serviços Associados
A instituição é uma casa moderna, com dois pisos e um espaço amplo para 29 pacientes residentes de ambos os sexos. Tem uma área coberta de 517 m2 para tratamento e convívio e ainda um vasto jardim com 3000 m2. Todos os quartos têm casa de banho privada. Encontra-se devidamente equipada para a vida quotidiana dos pacientes, incluindo refeitório, cozinha, lavandaria, sala de TV, salas de grupo e gabinetes para terapias individuais. Dentro destes espaços, dispõe de um campo de futebol de 5 e uma área para diferentes utilizações para lazer por parte dos pacientes. Estes podem envolver-se em diferentes tarefas referentes à casa, em conjugação com o seu tempo de entretenimento, aos fins-de-semana e durante a semana depois das 5 da tarde (Retirado de www.villaramadas.com).
Identificação da Instituição de Estágio
A Instituição Villa Ramadas é um Centro de Tratamento Internacional multidisciplinar, localizado em Alcobaça, que recorre a técnicas comprovadas de correcção das desordens aditivas e dos problemas comportamentais a elas associados.
Descrição da Intervenção Realizada pelos Gabinetes de Psicologia na Instituição
A instituição Villa Ramadas aposta num Modelo Integrativo que é baseado em elementos das correntes teóricas Humanística, Psicodinâmica, Cognitivo-Comportamental e Gestalt, em consonância com o modelo terapêutico Minnesota na sua versão de abstinência total.
O paciente é ajudado a adquirir consciência em relação ao processo de como a doença da adicção se manifesta em geral, mas, principalmente, no impacto negativo, quer físico, quer mental da sua vida. A abstinência total (de todos os alteradores do estado de humor) é a pedra fundamental onde assenta toda a filosofia de Villa Ramadas. O objectivo de Villa Ramadas é ajudar todo o indivíduo que padeça da doença da adicção, com vista à sua reabilitação e a tornar-se auto-suficiente em relação à sua recuperação. Aprendendo ou reaprendendo a viver de uma forma saudável, equilibrada, confiante, dinâmica, responsável e estável.
O gabinete de Psicologia da instituição de Villa Ramadas, tem como objectivo libertar os pacientes da sua obsessão pelas desordens da adicção, devolvendo-os a uma vida produtiva normal. Trata-se de um processo que assume diversas formas, mas que começa sempre com uma desintoxicação ou abstinência da substância de uso, conduzida sob supervisão médica. Nos casos em que a desintoxicação não é necessária, o período inicial de abstinência pode decorrer no centro de tratamento, com apoio médico 24h/dia.
É a partir do momento que a adicção física é ultrapassada que começa o verdadeiro trabalho: a dependência psicológica e emocional do tipo de adicção. Nesta fase, o elemento-chave é a quebra da negação do paciente, conduzindo-o à aceitação das consequências do seu uso de drogas e/ou álcool através de terapias individuais ou das sessões de grupo que ocorrem duas vezes por dia.
Ao finalizar esta etapa, os pacientes estão preparados para começarem a mudar o seu comportamento com base no que aprenderam sobre si mesmos e na consciência daquilo que fizeram sob influência do tipo de adicção.
A duração deste processo é diferente para cada paciente, sendo-lhe salvaguardado o tempo necessário e suficiente para progredir no programa à velocidade que for pertinente para o seu caso.
A equipa terapêutica de Villa Ramadas vai mantendo os familiares e outras pessoas importantes para o paciente, informados sobre o desenvolvimento deste processo, excepto no que diz respeito a informação de índole terapêutica (Retirado de www.villaramadas.com).
O paciente é ajudado a adquirir consciência em relação ao processo de como a doença da adicção se manifesta em geral, mas, principalmente, no impacto negativo, quer físico, quer mental da sua vida. A abstinência total (de todos os alteradores do estado de humor) é a pedra fundamental onde assenta toda a filosofia de Villa Ramadas. O objectivo de Villa Ramadas é ajudar todo o indivíduo que padeça da doença da adicção, com vista à sua reabilitação e a tornar-se auto-suficiente em relação à sua recuperação. Aprendendo ou reaprendendo a viver de uma forma saudável, equilibrada, confiante, dinâmica, responsável e estável.
O gabinete de Psicologia da instituição de Villa Ramadas, tem como objectivo libertar os pacientes da sua obsessão pelas desordens da adicção, devolvendo-os a uma vida produtiva normal. Trata-se de um processo que assume diversas formas, mas que começa sempre com uma desintoxicação ou abstinência da substância de uso, conduzida sob supervisão médica. Nos casos em que a desintoxicação não é necessária, o período inicial de abstinência pode decorrer no centro de tratamento, com apoio médico 24h/dia.
É a partir do momento que a adicção física é ultrapassada que começa o verdadeiro trabalho: a dependência psicológica e emocional do tipo de adicção. Nesta fase, o elemento-chave é a quebra da negação do paciente, conduzindo-o à aceitação das consequências do seu uso de drogas e/ou álcool através de terapias individuais ou das sessões de grupo que ocorrem duas vezes por dia.
Ao finalizar esta etapa, os pacientes estão preparados para começarem a mudar o seu comportamento com base no que aprenderam sobre si mesmos e na consciência daquilo que fizeram sob influência do tipo de adicção.
A duração deste processo é diferente para cada paciente, sendo-lhe salvaguardado o tempo necessário e suficiente para progredir no programa à velocidade que for pertinente para o seu caso.
A equipa terapêutica de Villa Ramadas vai mantendo os familiares e outras pessoas importantes para o paciente, informados sobre o desenvolvimento deste processo, excepto no que diz respeito a informação de índole terapêutica (Retirado de www.villaramadas.com).
III – Descrição das actividades realizadas e estratégias de intervenção
As actividades realizadas foram, num primeiro momento, observação passiva, quer em terapias de grupo, quer em terapias individuais; posteriormente, prática com pacientes reais, com supervisão, realização de terapias de grupo e terapias individuais e elaboração de relatórios.
A observação passiva, quer em terapias de grupo, quer em terapias individuais, resumia-se, apenas, na observação de terapias efectuadas por um terapeuta de Villa Ramadas.
A prática com pacientes reais, com supervisão, consistiu na realização de terapias de grupo e terapias individuais, observado e auxiliado por um terapeuta de Villa Ramadas.
Após estes dois momentos de actividades, e mostrando boa adaptação, motivação e preparação para a realidade, realizei terapias de grupo e terapias individuais.
Torna-se, pois, pertinente fazer uma breve descrição destes dois processos terapêuticos.
As terapias de grupos eram realizadas, no mínimo, duas vezes por dia. Os pacientes eram, cuidadosamente, escolhidos, de acordo com todos os seus aspectos subjacentes e colocados num grupo. Todos os elementos se identificavam (“O meu nome é… e sou…”) e cada um referia o assunto que pretendia ou necessitava (especificados no Capítulo IV), recebendo identificações e feedback dos restantes elementos. A duração de uma terapia de grupo é, geralmente, de 60 minutos.
As terapias individuais eram efectuadas após a terapia de grupo e tinham como objectivo uma avaliação e acompanhamento mais específicos, da minha parte, normalmente, aos pacientes com os quais realizara a terapia de grupo.
A elaboração dos relatórios era efectuada no final de cada terapia individual, descrevendo-a ao pormenor.
A observação passiva, quer em terapias de grupo, quer em terapias individuais, resumia-se, apenas, na observação de terapias efectuadas por um terapeuta de Villa Ramadas.
A prática com pacientes reais, com supervisão, consistiu na realização de terapias de grupo e terapias individuais, observado e auxiliado por um terapeuta de Villa Ramadas.
Após estes dois momentos de actividades, e mostrando boa adaptação, motivação e preparação para a realidade, realizei terapias de grupo e terapias individuais.
Torna-se, pois, pertinente fazer uma breve descrição destes dois processos terapêuticos.
As terapias de grupos eram realizadas, no mínimo, duas vezes por dia. Os pacientes eram, cuidadosamente, escolhidos, de acordo com todos os seus aspectos subjacentes e colocados num grupo. Todos os elementos se identificavam (“O meu nome é… e sou…”) e cada um referia o assunto que pretendia ou necessitava (especificados no Capítulo IV), recebendo identificações e feedback dos restantes elementos. A duração de uma terapia de grupo é, geralmente, de 60 minutos.
As terapias individuais eram efectuadas após a terapia de grupo e tinham como objectivo uma avaliação e acompanhamento mais específicos, da minha parte, normalmente, aos pacientes com os quais realizara a terapia de grupo.
A elaboração dos relatórios era efectuada no final de cada terapia individual, descrevendo-a ao pormenor.
Estratégias de Intervenção
As estratégias de intervenção utilizadas assentam-se nos fundamentos teóricos das abordagens Rogeriana e Cognitivo-Comportamental, desenvolvidas paralelamente com o Modelo Minnesota na sua versão de abstinência total.
Apliquei técnicas terapêuticas para os problemas associados a dependências químicas, para alguns tipos de fobias, para a desordem obsessivo-compulsiva, para algumas desordens de ansiedade e para as desordens alimentares. Foram, igualmente, aplicadas técnicas para melhorar aspectos relacionados com auto-estima, auto-conceito e com assertividade.
Convém referir que todos os pacientes de Villa Ramadas são submetidos à terapia de grupo, onde são aplicados fundamentos teóricos das abordagens Rogeriana e Cognitivo-Comportamental, desenvolvidas paralelamente com o Modelo Minnesota, na sua versão de abstinência total, como foi referido anteriormente. Especificamente a cada indivíduo particular e, de acordo com todos os seus aspectos inerentes, desenvolveu-se um acompanhamento através da terapia individual, onde foram aplicadas diversas técnicas.
Deste modo, as estratégias de intervenção aplicadas foram as seguintes: Modelo Minnesota, Psicoterapia de Grupo, Intervenção em Crise, Prevenção da Recaída, aplicação da Entrevista Motivacional, Dessensibilização Sistemática, Prevenção de Resposta, Reeducação Cognitiva, o Treino da Respiração, Treino das Habilidades Sociais e Treino da Assertividade e, igualmente, o Treino de Habilidades de Solução de Problemas. Foram, de igual forma, aplicadas técnicas para melhorar e desenvolver aspectos referentes à auto-estima e auto-conceito dos pacientes, assim como, esforços para alterar as crenças irracionais ou mal-adaptativas sobre a relação corporal e o peso, especificamente para as desordens alimentares.
Apliquei técnicas terapêuticas para os problemas associados a dependências químicas, para alguns tipos de fobias, para a desordem obsessivo-compulsiva, para algumas desordens de ansiedade e para as desordens alimentares. Foram, igualmente, aplicadas técnicas para melhorar aspectos relacionados com auto-estima, auto-conceito e com assertividade.
Convém referir que todos os pacientes de Villa Ramadas são submetidos à terapia de grupo, onde são aplicados fundamentos teóricos das abordagens Rogeriana e Cognitivo-Comportamental, desenvolvidas paralelamente com o Modelo Minnesota, na sua versão de abstinência total, como foi referido anteriormente. Especificamente a cada indivíduo particular e, de acordo com todos os seus aspectos inerentes, desenvolveu-se um acompanhamento através da terapia individual, onde foram aplicadas diversas técnicas.
Deste modo, as estratégias de intervenção aplicadas foram as seguintes: Modelo Minnesota, Psicoterapia de Grupo, Intervenção em Crise, Prevenção da Recaída, aplicação da Entrevista Motivacional, Dessensibilização Sistemática, Prevenção de Resposta, Reeducação Cognitiva, o Treino da Respiração, Treino das Habilidades Sociais e Treino da Assertividade e, igualmente, o Treino de Habilidades de Solução de Problemas. Foram, de igual forma, aplicadas técnicas para melhorar e desenvolver aspectos referentes à auto-estima e auto-conceito dos pacientes, assim como, esforços para alterar as crenças irracionais ou mal-adaptativas sobre a relação corporal e o peso, especificamente para as desordens alimentares.
IV – Fundamentos teóricos das actividades
Como descrito no capítulo anterior, foram diversas as estratégias de intervenção utilizadas durante o estágio curricular em Villa Ramadas. De um modo geral, foi sempre aplicado o Modelo Minnesota, mas evidentemente que para cada caso e cada situação, foram utilizadas outras técnicas e estratégias, baseadas em elementos das correntes teóricas Rogeriana e Cognitivo-Comportamental. Serão, seguidamente, apresentadas.
Modelo Minnesota
Surgiu e desenvolveu-se nos E.U.A, no estado do Minnesota, e foi percursor de grande parte de todos os modelos de tratamento de dependências químicas, tendo a sua base estruturada nos 12 Passos dos Alcoólicos Anónimos, fazendo uso de uma abordagem multidisciplinar. Consiste num modelo psicoterapêutico de origem humanista cujo objectivo é a abstinência total do consumo de substâncias, capazes de provocar alterações artificiais no estado de humor, consciência ou comportamento do indivíduo.
O Modelo Minnesota ensina o paciente a modificar atitudes e comportamentos através de um método de trabalho que consiste em aconselhamento e psicoterapia de grupo e individual, participação em grupos terapêuticos com temas específicos, como expressão de sentimentos, avaliação e alteração de objectivos, prevenção da recaída, leitura e debate de trabalhos escritos (Silva, 2007).
O Modelo Minnesota ensina o paciente a modificar atitudes e comportamentos através de um método de trabalho que consiste em aconselhamento e psicoterapia de grupo e individual, participação em grupos terapêuticos com temas específicos, como expressão de sentimentos, avaliação e alteração de objectivos, prevenção da recaída, leitura e debate de trabalhos escritos (Silva, 2007).
Psicoterapia de Grupo
Constitui um tipo de tratamento onde indivíduos, cuidadosamente seleccionados, são colocados num grupo e orientados por um terapeuta, para se ajudarem mutuamente e efectuarem alterações da personalidade. A intervenção foca-se no “aqui e no agora”, é estruturada e tem objectivos claros. Pretende-se a modificação de padrões de relacionamento, considerados desadaptativos (Cordioli, 1998, conforme citado em Silva, 2007)
Os problemas que podem ser tratados numa terapia de grupo normalmente incluem: dificuldades em criar e manter relacionamentos, dificuldade em lidar e expressar sentimentos, dificuldade ao nível da identidade, sintomas como ansiedade, depressão e somatização e, igualmente, pacientes que colocam dificuldades quando tratados individualmente (Bloch & Aveline, 1998, conforme citados em Silva, 2007)
De acordo com Edwards et al., (1999), nas terapias de grupo pode haver “educação do grupo”, ou seja, os pacientes aprendem sobre a natureza da dependência; pode existir um tema geral como “solução de problemas”, que pode relacionar-se com questões da realidade, como encontrar um emprego ou lidar com dívidas; pode haver um tema sobre “estratégias da recaída”, “definição de objectivos” ou “reforço da motivação”.
A pressão positiva e o apoio social proporcionados pelo grupo, a sensação de pertença ao grupo, a aprendizagem por observação das experiências dos restantes elementos do grupo e a sensação de se estar a receber e, simultaneamente, a prestar ajuda aos demais, são algumas das vantagens da terapia de grupo (Echeburua, 2002, conforme citado em Nunes & Jólluskin, 2007).
Os problemas que podem ser tratados numa terapia de grupo normalmente incluem: dificuldades em criar e manter relacionamentos, dificuldade em lidar e expressar sentimentos, dificuldade ao nível da identidade, sintomas como ansiedade, depressão e somatização e, igualmente, pacientes que colocam dificuldades quando tratados individualmente (Bloch & Aveline, 1998, conforme citados em Silva, 2007)
De acordo com Edwards et al., (1999), nas terapias de grupo pode haver “educação do grupo”, ou seja, os pacientes aprendem sobre a natureza da dependência; pode existir um tema geral como “solução de problemas”, que pode relacionar-se com questões da realidade, como encontrar um emprego ou lidar com dívidas; pode haver um tema sobre “estratégias da recaída”, “definição de objectivos” ou “reforço da motivação”.
A pressão positiva e o apoio social proporcionados pelo grupo, a sensação de pertença ao grupo, a aprendizagem por observação das experiências dos restantes elementos do grupo e a sensação de se estar a receber e, simultaneamente, a prestar ajuda aos demais, são algumas das vantagens da terapia de grupo (Echeburua, 2002, conforme citado em Nunes & Jólluskin, 2007).
Prevenção da Recaída
Um dos principais objectivos desta terapia é evitar que um lapso ou um comportamento menos correcto de um dependente se torne numa recaída. Esta é vista como um acontecimento desfavorável a ser evitado por meio de um plano cuidadoso e por um programa de recaída. Factores intrapessoais, como estados emocionais negativos e positivos, conflitos interpessoais e pressão social, podem ser determinantes da recaída. Deste modo, o paciente necessita de aprender mecanismos de controlo mais afectivos, incluindo estratégias cognitivas e actividades substitutas pessoalmente planeadas. As estratégias envolvem uma aprendizagem de como evitar riscos desnecessários e de como lidar positivamente e com confiança com riscos inevitáveis (Edwards et al., 1999).
Intervenção em Crise
Designada por alguns autores de terapia de curta duração, tem como objectivo o alívio rápido dos sintomas e o retorno ao equilíbrio anterior. Este tipo de intervenção é indicado para todas as situações agudas que configuram uma emergência (luto, tentativas de suicídio, episódios de ansiedade, stress pós-traumático) (Ferreira, 2004). Esta estratégia foi utilizada em terapia de grupo, em situações de luto e tentativas de suicídio.
Dessensibilização Sistemática
É uma técnica que combina o treino de relaxamento com a exposição gradual a estímulos fóbicos. O tratamento, neste caso, envolve duas fases: o treino de relaxamento que permite ao paciente desactivar-se do ponto de vista fisiológico. Quando este já domina a técnica de relaxamento, passa-se à fase seguinte e, para que tal seja possível, é necessário construir uma hierarquia de situações causadoras de medo, atribuindo-lhe um determinado valor. Por outro lado, o treino de dessensibilização consiste em colocar, de forma gradual, o paciente numa situação que lhe provoque medo e ansiedade, para que este se deixe de sentir activado de forma fisiológica. Esta técnica pode ser realizada ao vivo ou em imaginação (Pires, 2003). Este procedimento foi utilizado algumas vezes em terapia individual, apenas em forma de imaginação, em pacientes que apresentavam quadros de alguns tipos de fobias.
Prevenção de Resposta
É uma técnica que consiste em impedir que uma pessoa ritualize depois de ter sido exposta a uma situação que, por norma, lhe provocaria compulsão. Por exemplo, uma pessoa com obsessão pela sujidade e correspondendo à compulsão de lavagem de mãos, depois de ter sido levada a mexer em sujidade é impedida de lavar as mãos (Pires, 2003). Esta técnica foi utilizada em pacientes com desordem obsessivo-compulsiva, em terapia individual.
Reeducação Cognitiva
É o fornecimento de informações sobre o que é a ansiedade, o que são ataques de pânico, a ligação entre estes e o modo como a pessoa pensa as circunstâncias que a rodeiam, com o objectivo de orientá-la no sentido da aquisição de pensamentos e expectativas mais adequadas e desejáveis (Pires, 2003). Utilizada em pacientes com desordens de ansiedade, quer ao nível da terapia de grupo, quer ao nível da terapia individual.
O Treino de Respiração
Consiste em aprender a respirar de forma pausada e regular, completa e profundamente (Pires, 2003). Esta técnica foi utilizada em terapia individual, em pacientes que apresentavam episódios de ansiedade generalizada.
Técnicas para Melhorar Auto-conceito e Auto-estima
Foram utilizadas as técnicas da Análise das Qualidades e Defeitos, o Auto-elogio e a Auto-reflexão e Desenvolvimento do Auto-conceito (Guerra, 2000). Utilizadas, quer em terapias de grupo, quer em terapias individuais.
Treino das Habilidades de Solução de Problemas
A grande maioria dos pacientes com dependências químicas ou comportamentais, tem dificuldade em resolver problemas e lidam com eles através da negação ou com comportamentos de risco. Esta técnica tem como objectivo ajudar os pacientes a desenvolver estratégias alternativas nas várias situações com que se deparam (Monti et al., 1989, conforme citado em Edwards et al., 1999). Utilizada, quer em terapias de grupo, quer em terapias individuais.
Treino das Habilidades Sociais e Treino da Assertividade
É um método bastante importante de tratamento para os problemas de álcool. Alguns pacientes com problemas de dependência, sentem alguma dificuldade em funcionar adequadamente em situações sociais e o tratamento de desempenho de papel ou outros métodos comportamentais, pode melhorar a situação. O treino da assertividade está incluído neste item: os pacientes são treinados para serem assertivos, ou seja, para não terem dificuldade em dizer o que pensam e o que querem (Holder et al., 1991, conforme citado em Edwards et al., 1999). Utilizada, quer em terapias de grupo, quer em terapias individuais.
V – Apresentação estudo de caso
N. é um estudante universitário de 23 anos de idade que foi internado no Centro de Tratamento Villa Ramadas, devido à dependência de álcool e cocaína. É o mais novo de 2 irmãos. O pai é Gestor de Empresas e a mãe professora primária. Começou a beber aos 16 anos e uns meses mais tarde experimentou cocaína, numa festa entre amigos. O seu padrão de consumo era, preferencialmente, aos fins-de-semana. Durante os últimos anos, e já na universidade, N. bebia e consumia cocaína nas noites dos dias de aulas e no dia seguinte faltava às aulas de manhã. As suas relações com os amigos e namoradas piorava, sofrera alguns acidentes de automóvel, fora apanhado a roubar e andava, sistematicamente, “metido em confusões”. Os pais aperceberam-se do fracasso ao nível académico e descobriram a sua dependência de álcool e cocaína.
Já em Villa Ramadas, N. apresentou história de ataques de pânico, de ansiedade, dificuldade em motivar-se para o tratamento, dificuldades para solucionar problemas, dificuldade em interagir com o grupo, para além de apresentar baixa auto-estima e auto-conceito frequentemente.
Relativamente ao tratamento, realizou-se terapia de grupo, onde foi sempre aplicado o Modelo Minnesota, apoiado nas estratégias referidas no Capítulo III, assim como terapia individual.
No início, nas terapias de grupo, aceitavelmente, N. nunca participava. Mostrava-se desinteressado e relutante em aceitar a sua realidade. Ao longo das diversas sessões, N. começou a participar no grupo, com intervenções sérias e assertivas.
Nas primeiras terapias individuais, N. referia dificuldades na adaptação ao tratamento, ao grupo e ao centro. Demonstrava, por diversas vezes, arrependimento pelo passado e sentimentos de culpa. Inicialmente, neste tipo de terapia, foi aplicada a Entrevista Motivacional, assim como o Treino das Habilidades Sociais. Para os sentimentos de arrependimento e de culpa, foi-lhe sempre sugerido que partilhasse estes aspectos em terapia de grupo. Ao longo das sessões de terapia individual, N. referiu episódios de ataques de pânico e mostrava dificuldades em lidar com excessiva ansiedade. Apresentava, igualmente, dificuldades para solucionar problemas e, sistematicamente, baixa auto-estima e auto-conceito. Referia muitas vezes medo de uma possível recaída. Foi aplicada a técnica da Reeducação Cognitiva e o Treino da Respiração. De igual modo, foi aplicado o Treino das Habilidades de Solução de Problemas e as técnicas da Análise das Qualidades e Defeitos, o Auto-elogio e a Auto-reflexão e Desenvolvimento do Auto-conceito, assim como a Técnica da Prevenção da Recaída.
No momento final do estágio, N. tornara-se elemento líder do grupo, fornecia sistematicamente ajuda aos restantes pacientes, participava constantemente nas terapias de grupo. Os episódios de ansiedade tinham diminuído e apresentava melhorias significativas na auto-estima e auto-conceito. Encontrava-se bastante motivado para o futuro.
Já em Villa Ramadas, N. apresentou história de ataques de pânico, de ansiedade, dificuldade em motivar-se para o tratamento, dificuldades para solucionar problemas, dificuldade em interagir com o grupo, para além de apresentar baixa auto-estima e auto-conceito frequentemente.
Relativamente ao tratamento, realizou-se terapia de grupo, onde foi sempre aplicado o Modelo Minnesota, apoiado nas estratégias referidas no Capítulo III, assim como terapia individual.
No início, nas terapias de grupo, aceitavelmente, N. nunca participava. Mostrava-se desinteressado e relutante em aceitar a sua realidade. Ao longo das diversas sessões, N. começou a participar no grupo, com intervenções sérias e assertivas.
Nas primeiras terapias individuais, N. referia dificuldades na adaptação ao tratamento, ao grupo e ao centro. Demonstrava, por diversas vezes, arrependimento pelo passado e sentimentos de culpa. Inicialmente, neste tipo de terapia, foi aplicada a Entrevista Motivacional, assim como o Treino das Habilidades Sociais. Para os sentimentos de arrependimento e de culpa, foi-lhe sempre sugerido que partilhasse estes aspectos em terapia de grupo. Ao longo das sessões de terapia individual, N. referiu episódios de ataques de pânico e mostrava dificuldades em lidar com excessiva ansiedade. Apresentava, igualmente, dificuldades para solucionar problemas e, sistematicamente, baixa auto-estima e auto-conceito. Referia muitas vezes medo de uma possível recaída. Foi aplicada a técnica da Reeducação Cognitiva e o Treino da Respiração. De igual modo, foi aplicado o Treino das Habilidades de Solução de Problemas e as técnicas da Análise das Qualidades e Defeitos, o Auto-elogio e a Auto-reflexão e Desenvolvimento do Auto-conceito, assim como a Técnica da Prevenção da Recaída.
No momento final do estágio, N. tornara-se elemento líder do grupo, fornecia sistematicamente ajuda aos restantes pacientes, participava constantemente nas terapias de grupo. Os episódios de ansiedade tinham diminuído e apresentava melhorias significativas na auto-estima e auto-conceito. Encontrava-se bastante motivado para o futuro.
VI – Análise crítca das actividades
Como foi referido anteriormente, as actividades que foram desenvolvidas foram as seguintes: observação passiva em terapias de grupo e terapias individuais; prática com pacientes reais, com supervisão; realização de terapias de grupo e terapias individuais; e elaboração de relatórios. Posto isto, o balanço é positivo.
Relativamente à avaliação do desempenho, inicialmente, houve algumas dificuldades, nomeadamente, ao nível da terapia de grupo e aos primeiros contactos com o modelo Minnesota, mas progressivamente foi efectuada uma adaptação bastante positiva. De referir todos os esforços realizados, ao longo do estágio, para um melhor e maior conhecimento da área e de todas as situações envolventes. Todos os objectivos foram atingidos e as expectativas foram colmatadas.
Relativamente à avaliação do desempenho, inicialmente, houve algumas dificuldades, nomeadamente, ao nível da terapia de grupo e aos primeiros contactos com o modelo Minnesota, mas progressivamente foi efectuada uma adaptação bastante positiva. De referir todos os esforços realizados, ao longo do estágio, para um melhor e maior conhecimento da área e de todas as situações envolventes. Todos os objectivos foram atingidos e as expectativas foram colmatadas.
VII – Síntese crítica do estágio
O estágio pode ser resumido numa experiência bastante motivadora e entusiasmante. Foi extremamente importante o período de observação passiva nas terapias de grupo e terapias individuais, pois possibilitou uma melhor adaptação à realidade em causa. Permitiu um desenvolvimento de competências pessoais e profissionais, num ambiente real de trabalho, com pacientes reais e com profissionais com larga experiência neste campo.
Referências Bibliográficas
Edwards, G., Marshall, E. J. & Cook, C. H. (1999). O
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Toxicodependentes em Recuperação. Manuscrito não publicado, Instituto Superior de Letras e Administração de Leiria.
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Toxicodependentes em Recuperação. Manuscrito não publicado, Instituto Superior de Letras e Administração de Leiria.
Conclusão
O presente relatório descreveu o estágio curricular, inerente ao 5º ano do curso de Psicologia Social e das Organizações, leccionado no Instituto Superior de Letras e Administração de Leiria, realizado no Centro de Tratamento de Villa Ramadas, localizado em Alcobaça. A instituição de estágio em causa, as actividades realizadas, a sua fundamentação teórica e a sua análise crítica, a apresentação de um estudo de caso, assim como uma síntese crítica do estágio, foram aqui descritas.
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